Isolamento Social, sonho com uma cabana.

Em tempos que em que só se fala em isolamento social cresce em mim cada vez mais o desejo de isolar-me por completo dessa sociedade na qual definitivamente eu não me encaixo mais, se é que algum dia me encaixei.

Quanto mais conheço a mim mesma, quanto mais profundo mergulho nos porquês da minha existência mais percebo que viver sozinha em nada tem haver com sentir solidão, vivo em um estado de solitude plena sem que haja qualquer tipo de sentimento de solidão e isso me remete a uma outra reflexão de quanto a sociedade anda doente, tão doente que entram em depressão pelo simples fato de passarem 10 ou 15 dias limitados de alguns prazeres que eles acreditam fazerem a sua vida alegre e plena.

E nesse contexto em que as pessoas só dão valor ao ter e não ao SER é que o mundo foi envolto em uma teia em que Zygmunt Bauman sabiamente chamou de sociedade líquida.

As pessoas possuem casas caras, carrões que alimentam seus egos e viajar para a Europa todo ano é sinônimo de status social tanto que as redes sociais servem para transformar todo mundo em bonito, magro e bem sucedido, quando que na realidade as pessoas lotam cada vez mais os consultórios dos psicanalistas em busca de entenderem e preencherem o vazio que consome suas almas mal percebendo que suas almas foram vendidas por um preço muito barato e embora pensem serem mais valiosos do que ouro, valem quanto pesam e pesam menos do que uma pena.

Essa sociedade adoece ainda criança já que hoje é visto de forma natural delegar a educação do bebê para tela do celular em que a mãe é nada mais nada menos que a galinha pintadinha com toda a pluralidade de interpretações possíveis. Delega-se também aos professores que antes eram vistos com respeito e que hoje, viraram apenas o reflexo de uma sociedade que cresce corrompida em que o Mc que morreu no tráfico vira herói e o professor que tenta ensinar filosofia para que se desevolva o livre pensamento, vira o carrasco, e assim desrespeitado e desiludidos alguns abandonam a profissão e outros apenas se calam adaptando-se ao sistema.

E em falando-se de valores, quais valores existem hoje nessa sociedade mesquinha, egoísta e hipócrita que acreditam que a vida de seus semelhantes são menos valorosas do que as suas própias? Que valores teriam pessoas que acreditam que tudo e todos devem funcionar para manter o seu direito de serem completos inúteis e incapazes de sobreviverem em meio a uma crise, enquanto permanecem de braços cruzados? Falam muito em sustentabilidade mas pensam que a galinha já nasceu na prateleira do supermercado, falam muito em Deus e vão a igreja toda semana mas a fé se perdeu no primeiro desafio que tiveram que enfrentar.

O que pensar dos valores de uma sociedade que em um momento de crise dizem querer proteger seus idosos apenas para justificar o fato de ficarem em casa vadiando enquanto recebem ajuda do governo e que em tempos normais esses mesmos idosos são colocados a margem da sociedade sendo abandonados em silos enquanto filhos e netos gozam a vida sem nenhum remorso ou comoção.

Fala-se em sustentabilidade mas ninguém quer saber para onde vai o seu lixo, toda comida que ingerem vem cheia de corantes, conservantes e acidulantes causadores de diversas doenças, inclusive o câncer e essa mesma geração sem consciência trocam de celular como trocam de roupa, trocam de parceiros como se as pessoas fossem descartáveis e para elas nada é de fato sustentável.

Nessa sociedade doente se matam um pouco todos os dias de diversas formas diferentes, alguns pelo uso de drogas, outros pelo uso excessivo de produtos farmacêuticos, outros pela alimentação totalmente industrializada, outros pela violência, outros pela debilidade mental e por tantos outros motivos e quando surge uma ameça real essa sociedade líquida já esta fraca de mais para combatê-la, já morreram antes de viver.

Ficam revoltados com o fogo na amazônia mas não se revoltam com sua própria incapacidade de fazer algo de concreto e útil para amenizar as dores seja de bicho ou de gente.

Não, definitivamente não quero mais viver nessa sociedade líquida que fala o que pensa e não pensa no que fala e que agem como bois de manada correndo direto para o abismo.

Quero minha casa no campo, e como dizia o poeta, “em que eu possa plantar e colher com as mãos a pimenta e o sal” em que eu possa cultivar meu alimento, cultivar meus livros e alguns poucos amigos para que a vida faça sentido de fato.

Quanto mais isolados melhor, quanto mais sustentável melhor e talvez isso não ajude o mundo como gostaríamos mas ao menos poderemos ter a dádiva de nos conectarmos de fato com a natureza que tanto amamos, talvez possamos nos conectar com nosso eu mais puro e verdadeiro em meio a vida simples e sustentável em que todo nosso sustento saia do solo para que possamos ter um alimento nutritivo, natural, sem veneno e sem transgênicos e que nossos bichos sirvam apenas para nos fazer companhia e que a nossa luz venha do sol e do vento e que nossa água venha do solo pura e cristalina.

Viver “livre” em uma prisão social não nos pertence mais, nossa alma quer ser livre de verdade, sem que sejamos reféns de um sistema que impõe as regras e que ilude, que valoriza somente aquilo que não levaremos conosco para o túmulo.

A vida é a maior de todas as viagens e precisamos fazer com que essa viagem valha a pena, se ela acabar amanhã que então possamos olhar para trás com alegria tendo a certeza que vivemos plenamente e que aprendemos as lições que nos foram destinadas nessa existência.

https://go.hotmart.com/S25540126P

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s