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O Dia que Fomos Acolhidos por Uma Comunidade Quilombola

Sempre que me perguntam o que há de melhor em viver na estrada eu não hesito em responder: As pessoas.

Sim, as pessoas que encontramos pelo caminho nos fornecem o maior tesouro a ser levado em nossa bagagem e foi em um desses momentos que nos perdemos pelo caminho que o destino sabiamente nos colocou na direção da comunidade Quilombola São Roque, localizada na Cidade de Praia Grande em Santa Catarina na divisa com Rio Grande do sul.

Fomos para passar apenas uma noite mas a forma que fomos acolhidos por todos da comunidade nos fizeram passar 3 noites e 3 dias e por pouco não ficamos mais.

A comunidade São Roque ainda mantém viva a cultura e tradição de seus antepassados e com cada ancião com quem conversávamos era uma completa aula de história.

O Assunto rendeu tanto, que estou montando um pequeno documentário com fragmentos dos relatos e histórias
de violência e injustiça, mas também de lutas e resistência. A comunidade foi formada da indignação de homens e mulheres que se recusaram a trabalhar como escravos, formando o quilombo São Roque.

O tempo passou mas a resistência e a luta desse povo sofrido continuam até os dias atuais, até mesmo para poder plantar na terra que vivem desde meados de 1.800 eles precisam lutar na justiça, fato que ocorre desde 2004 quando foram proibidos de cultivar a terra dos seus antepassados por elas estarem inseridas nas regiões dos Cânions, protegidos pelas leis ambientais.

Réplica de uma casa da época da escravidão. Esta casa fica ao lado da escola da Comunidade São Roque.

Contam que no período da proibição muitas famílias começaram a passar fome, era da terra eles tiravam todo o sustento de suas famílias. Após a proibição muitos venderam suas terras por trocados e migraram para a cidade mas sem saber ler ou escrever acabaram por viver uma nova escravidão, o da fome, do preconceito e da falta de apoio político.

Hoje com o apoio de algumas entidades e promotores de justiça estão aos poucos conseguindo reaver as suas terras e expulsar os impostores que estavam explorando a área de forma ilegal. Estão conseguindo cultivar suas roças familiares e aos poucos o sorriso branco e largo, que aliás é uma característica marcante desse povo esta voltando.

As histórias são muitas e os contos e lendas também. Conversar com o Sr Dirceu e seu irmão Valdir nos fez viajar ao passado quando ficava eu e meus irmãos sentados ao lado do fogão a lenha comendo pinhão e ouvindo nossos avós contarem as lendas dos “matos”, eram estórias de boitatá, mula sem cabeça, corpo seco entre tantas outras. Lá na comunidade ouvimos o conto do Príncipe que percorria a região da Pedra Branca em busca de uma noiva, ouvimos o conto do espírito perdido do moço que encilhou a própria mãe e por aí vai. Se passam horas e horas ouvindo a história deles sem que nos cansemos.

Mas como não é só de contos e histórias que eles vivem, fomos fuçar um pouquinho para saber mais sobre o que eles plantam, como vivem, artesanato, culinária e escola.

Descobrimos que plantam de tudo um pouco e o Pedro foi conhecer a roça do Elizeu que hoje é o presidente da associação. Ele nos recebeu em sua casa para o café da tarde e sua esposa Simone com todo o carinho nos preparou um delicioso pão de Ló.

Acolhida sábado a tarde na Casa do Eliseu e da Simone, com direito a chimarrão e Pão de Ló

De lá saímos com a feira da semana feita e o coração cheio de alegria.

Ganhamos Aipim fresquinho, couve, alface, cheiro verde, ovos caipira. Mais tarde outro morador nos trouxe espigas de milho verde, outro nos trouxe lambari pescados no rio que passava bem atrás no nosso acampamento e também trouxe um potinho de farofa de amendoim feito no pilão, nossa, esse último presente foi para me derrubar, quase chorei, juro. Mas você deve estar pensando, tá, o que um potinho de farofa de amendoim tem de tão especial? Tem gosto de infância, minha avó fazia e eu amava.

Rio que passava logo atrás do nosso acampamento

Ainda Tem a dona Maria, anfitriã muito acolhedora e simpática, ela tem uma pequena venda de coisas que ela mesma produz. Em sua maioria conservas e geleias feitas com produtos locais. Na cozinha ela prepara carinhosamente uma polenta, comida a base de farinha de milho que era muito apreciada pelos seus antepassados e servida sempre com fartura até hoje na mesa do povo Quilombola São Roque. _”É uma herança que guardamos com carinho”, conta dona Maria Rita dos Santos

Como podem perceber, todo esse carinho e acolhida deixou marcas registradas, não apenas em nossas câmeras fotográficas mas também em nossos corações.

Descobrimos também que eles mantem viva a tradição da confecção de cestos e balaios que são feitos com tiras de cipó ou com taquara de Bambu, utensílios esses que eram muito usados pelos seus avós para guardar milho ou outros produtos. Eles colocavam no lombo das mulas e transportavam as cargas até São Francisco de Paula, onde tudo era vendido,” conta o sr João Gabriel.

Na comunidade todos fazem questão de manter viva as tradições de seus antepassados, seja através da música, da agricultura ou do artesanato.

Na única escolinha da comunidade ensina-se o bê-á-bá para os pequeninos durante o dia e a noite ensina-se os adultos não apenas como se fazer valer das letras, mas também como resgatar por exemplo, os conhecimentos das plantas medicinais, plantas estas que até hoje são utilizadas pela comunidade para tratar e curar os mais diversos males que acometem homens e bichos (em sua maioria causadas em razão da modernidade), um conhecimento que sem dúvida não pode se perder.

E claro que em meio a tantos presentes que ganhamos, não podia faltar uma erva medicinal, quer dizer, duas ervas. Ganhamos do Sr Dirceu a Quina e uma”vorta” de cipó Mil Homens, a primeira serve melhora a digestão, ajuda a desintoxicar o fígado e o organismo, tem ação antisséptica e anti-inflamatória, auxilia no tratamento da malária, combate a febre, reduz dores no corpo….enfim, as propriedades são Muitas.

Já o cipó de Mil Homens é uma das plantas com propriedades medicinais fortíssimas e com um nome bastante curioso batizado pelo sanitarista Carlos Chagas, que usou o tal cipó para tratar milhares de operários das ferrovias brasileiras, contaminados por um tipo perigoso de malária.

Na noite em que chegamos era o encerramento do ano escolar (inicio de dezembro), lá pudemos conhecer alguns dos professores e vários membros da comunidade. O Sr Dirceu e seu irmão Valdir faziam parte dessa turma, ambos já passado dos 60 anos decidiram andar 5 km toda noite para frequentarem as aulas noturna, e pasmem, o Sr Valdir disse que ainda fará uma faculdade.

Em razão do tempo que acabou sendo corrido, acabamos não indo até a casa deles, que segundo o que nos explicaram é feita de pau a pique, coberta de lona e fica inserida bem no meio da floresta, lá não tem luz nem água encanada e vez ou outra o Leão aparece e acaba comendo um porco e uma vez acabou pegando um dos cachorros deles. Confesso que lamentei muito não poder ir até lá tomar um café tropeiro com eles.

Dentro do território da comunidade esta inserido um ponto turístico bastante procurado pelos aventureiros, a famosa Pedra Branca. São aproximadamente 900 metros de altitude, não parece muito né, mas não subestime, a trilha é bem perigosa em razão das diversas serpentes que habitam a região, uma aliás passou entre os pés do Pedro e por sorte o anjinho da guarda dele estava bem antenado.

Não íamos fazer essa trilha sozinhos justamente por receio das cobras, mas como sempre somos presenteados com a presença de pessoas especiais, acabamos por encontrar o Lobão e sua turma, guias experientes e conhecedores dos perigos e armadilhas a que podemos ser vítimas em meio a mata. E claro que aceitamos o convite, para a nossa felicidade, afinal, se não fosse pela ajuda deles não teríamos chego ao topo da escalada.

Ao Bruno coube carregar a mochilinha da Duda, a mim e ao Pedro coube ofegar muito, dar muito trabalho e deixar todo mundo sem água com uma certa antecedência. Foram pouco mais de 3 horas de caminhada sob o sol de quase 40 graus, no final para alcançar o topo tive um apoio extra do Lobão que apanhou meus pulsos e literalmente puxou-me pelos últimos 100 metros sobre a rocha lisa.

E no final o premio, uma vista de tirar o fôlego. No topo dessa pedra há uma plataforma Base Jump (tem doido pra tudo).

Na volta com sede, com fome, cansados e suados de dar dó, fomos direto tomar água, cervejinha gelada e colocar a carne no fogo. Uma panelada de mandioca que ganhamos no dia anterior e um pouco de carne fizeram a nossa festa e de mais algumas crianças da comunidade que se sentaram no chão em circulo e comeram junto com a gente, direto com as mãos mesmo. Foi bom demais compartilhar esse momento com eles pena que no meio a fome e a muvuca nem lembrei de pegar a câmera para registrar.

Comunidade São Roque localizada na cidade de Praia Grande em Santa Catarina.

Enquanto comíamos rolava um jogo de futebol no Campinho e muita música alegre tocada e cantada por alguns integrantes da comunidade, enquanto isso lá dentro na sede da escola eram preparada comidas e petiscos e na nossa casinha recebíamos as visitas dos nossos amiguinhos que deixaram nossa casinha mais alegre e colorida.

Nosso amiguinho foi visitar nossa casinha….

No Balção entre a cozinha e a sala “social” da escola onde acontece a maior parte dos eventos, também estavam expostos algumas gamelas talhadas na madeira e feitas a mão pelo Elizeu, atual presidente da associação dos Quilombolas. Compramos uma e desde então ela é nossa companhia em todos os nossos churrascos.

No outro canto da Sala próximo a um palco de madeira estavam expostos alguns quadros feitos por um dos senhores mais antigos da vila.

E assim passamos nossos 3 dias, cercados de pessoas, cercados de histórias, de costumes, de aventuras e acima de tudo cercados de muito carinho.

Por isso só posso finalizar esse post dizendo, Obrigada Eliseu, obrigada Simone, Dna Maria, Sr Dirceu, Sr Valdir, Sr Roque, Sr João e tantos outros rostos que embora eu não consiga lembrar o nome de todos, ficarão gravados em nossa memória e coração para sempre.

Obrigada Comunidade São Roque.

Algumas observações.

A comunidade nos forneceu água, luz e banheiro com chuveiro quente, eles não cobram valores de diária mas cada um deve contribuir com o que puder ou achar justo, afinal a Luz consumida não é gratuita para eles.

A região fica aproximadamente 30 km da trilha do Rio do Boi, então se você quer se aventurar um pouco mais essa dica pode ser uma boa pedida, há, e se tiver donativos como roupas, brinquedos ou alimentos pode ter certeza que serão bem aproveitados por eles, tem muita gente que precisa. Junte os amigos e se aventure, depois volte aqui e me conte como foi a tua experiência.

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Como me tornei Nômade Digital com quase 50

É, quase meio século de vida e chega aquele momento de reflexão em que questionamentos brotam de todos os lados inundando nossa alma ávida para viver tudo aquilo que até então nos foi negado.

Foi num desses momentos que decidi estudar um novo caminho, a velha vida cheia de rotinas, terninhos bem alinhado, salto alto, reuniões chatas e interminaveis, peso extra por comer qualquer porcaria dentro do carro no caminho entre um cliente e outro já não estavam alinhados com meus sentimentos e com minha missão de vida.

Afinal, passar pela vida vivendo como um zumbi que repete exaustivamente todos os dias a mesma rotina não me parecia mais uma opçåo aceitavel.

Aí a razão começa a brigar com com o desejo, e as crenças limitantes aprendidas desde a infância começam a fazer uma guerra dentro de mim, então resolvo desafiar a razão e me lançar no mundo, romper com paradigmas, mudar a roupa, a casa e o quintal, e que quintal! Uauh.

Mas a tarefa de reaprender uma profissão a qual me permitisse trabalhar de qualquer lugar do planeta não foi tão simples quanto parecia, gastei muito dinheiro em cursos, gastei tempo pesquisando, fiz muitas tentativas e erros, e não foi fácil convencer o marido que era necessário essa dedicação e esforço para atingir meus objetivos, mas fiz valer meus conhecimentos em informática, da experiência de anos administrando empresa e comandando equipe e do meu perfil empreendedora para me transformar em uma Nômade Digital.

Mas o que é ser uma Nômade Digital afinal?
Ser nômade digital é uma decisão de vida. Eles conscientemente não têm uma casa para voltar. Eles escolheram não ter raízes em seus países ou em qualquer outro país onde eles venham morar eventualmente. Eles não estão fugindo de nada e nem estão em busca de nada. Eles simplesmente aproveitam o percurso e as novas paisagens enquanto vivem a vida e trabalham “normalmente”.

Um Nômade digital pode atuar nos mais variados seguimentos, temos um amigo que é programador, outro faz sites (até iniciei mas não vi muita viabilidade), outro virou youtube de sucesso….ta, ta, ok, a pergunta que você deve estar se fazendo é “mas eu não sou profissional da informática, então não posso ser um Nômade Digital?”

Errado, pode sim. O marketing de afiliados por exemplo é um nicho de mercado que só tem ampliado nos últimos anos e já existem várias empresas que possuem essa plataforma, sendo que a mais conhecida delas é o Hotmart, lá qualquer pessoa pode se cadastrar e vender produtos digitais, as comissões variam bastante, mas de um modo geral são bem atrativas. Essa é uma ótima opção para quem vive na estrada, pois não precisa de estoques fisicos.

Existem várias outras maneiras de empreender e tirar bons rendimentos sem que para isso você precise viver escravo do sistema, entretanto, não é tão simples iniciar um negócio lucrativo do zero, muitas noites fui dormir passado das 2 da madruga, então dedicação e foco especialmente no primeiro ano é indispensavel.

Se você é como eu, quer viver por ai sem horários fixos, sem uma rotina desgastante, sendo seu próprio chefe, sem funcionários desmotivados e ainda tendo a possibilidade de conhecer lugares, culturas e pessoas interessantes, recomendo que arregasse as mangas, pregue a bunda na cadeira e estude, aprenda a fazer um Blog, aprenda a escrever, aprenda a fazer videos, melhore suas fotos, aprenda a editar videos, aprenda a lidar com as ferramentas do Google, aprenda como funciona as plataformas do Marketing de afiliados e as diferenças entre elas, fique ligado aqui no Blog, se inscreva para recebera conteúdos com dicas dos caminhos que segui até aqui.

No link abaixo você encontrará alguns dos cursos que fiz e que ajudaram imensamente a aprender quais ferramentas e estratégias usar, afinal quando falamos em marketing digital ou trabalho digital esse assunto abrange uma gama infinita de possibilidades e muitas vezes você é especialista em um determinado assunto mas não tem a menor idéia em como colocar esse conhecimento na internet e fazer com que ela trabalhe para você, é preciso aprender.

Trabalhe on line, aprenda como.

Um exemplo disso é, você é uma personal trainer, ou ainda uma Designer de moda, ou uma cerimonialista, ou advogado, ou jornalista, contador, arquiteto….enfim, não importa o teu ramo de atuação, há sempre uma possibilidade em colocar a tecnologia trabalhando para você mas é preciso estudar muito como isso tudo funciona por isso disponibilizo alguns dos cursos que fiz aqui na Loja Virtual Amor Sobre Rodas para ajudá-los nesse processo.

O meu projeto ainda não esta 100% concluido, mas já estou colhendo frutos. Resolvi dividir com vocês essa experiência pois muita gente tem me perguntado como é possivel realizar esse sonho de ganhar dinheiro enquanto viaja, e a 3 anos eu e o Pedro, como nossos seguidores bem sabem, vivemos em um trailer. Ele é aposentado, mas aposentadoria no Brasil não quer dizer muita coisa, então eu que não sou aposentada preciso me virar nos trinta e é um pouco dessas experiências que vou dividir com vocês nos próximos posts.

Fiquem ligadinhos e nos sigam pra receber as notificações das próximas postagens.

Cânion Espraiado

Encantamento foi a palavra que encontrei para descrever essa região. Sabe aquele lugar que te dá dor na mandíbula de tanto falar “Ohhhh”, para onde você olha vem logo um “Ohhhh” acompanhado, pois bem, esse é o lugar.

Cânion Espraiado – Urubici (foto de Noemi Cardoso)

O Cânion Espraiado fica localizado no Morro do Campo dos Padres, nome dado em alusão a passagem dos Jesuítas no período das missões, os quais se refugiavam nessas localidades, aliás, a região abriga um antigo cemitério Jesuíta, visível apenas para quem faz as trilhas mais longas (são poucos que se aventuram).

A região é provida de inúmeras  lendas, esculturas geológicas e, cercada de  montanhas, escarpas e chapadas, além dos  cânions e das cachoeiras  que compõem todo o cenário.

Contém um dos pontos mais elevados de Santa Catarina, com 1827 metros de altitude

É uma região excelente para praticantes de Trekking, pois até mesmo o acesso só é possível com mochilão, carro 4×4, moto de trilha, alguns doidinhos arriscam a subida com bike e não sei como consegue, mas conseguem. Com carro pequeno não arrisque ou você vai inevitavelmente ficar pelo caminho e detalhe, lá não chega guincho.

Esse acesso se dá Por Ububici e tem mais ou menos 10km. Parece bem pouco né, mas levamos quase 2 horas para fazer a subida em uma Ranger 4×4  com bloqueio do diferencial e com marcha  reduzida, tudo bem que havia acabado de cair um toró de água, mas o trajeto é complicado mesmo. Eu cheguei a achar que não chegaríamos a lugar algum, e que logo logo eu seria devorada por um leão da montanha em uma das diversas porteiras que tive que descer para abrir (ainda bem que o bicho tem búfalos e javalis selvagens para caçar na região), ufa, me salvei para contar essa história.

Caso você não queira fazer um mochilão e também não disponha de um 4×4, fique tranquilo, ainda dá para chegar até lá utilizando-se do serviço de transporte do pessoal que cuida e administra a visitação no cânion. Eles não possuem site então vou deixar o link da fan page deles no final do post.

Outra coisa, se você é aquele que gosta de luxo, não vá. A única habitação é do pessoal que mora e que fazem as cobranças de acesso ao Cânion. Lá você encontrará um rancho muito, mas muito rústico mesmo com o chão forrado de cepilho um fogão a lenha compartilhado por todos, cachorros e galinhas circulando pelo ambiente enquanto você prepara um rango qualquer.

Se você usar o camping será estilo selvagem e se não compartilhar cozinha, luz e água você irá pagar uns 5 reais a menos no valor da diária, o que do meu ponto de vista não vale a pena, até porque o pessoal que lá mora cobram bem pelas estadias mas oferecem quase nada.

O único banheiro em cimento bruto é compartilhado por todos (torça pra ter pouca gente). Se você quiser se alimentar lá no local eles fazem as refeições mediante encomenda (normalmente para grupos), também é possível fazer rappel, trilha para a cachoeira e Slackline , para isso é preciso contratar um guia (todos os moradores são guias e praticantes de esportes radicais) e possuem todo o equipamento necessário.

Há também a possibilidade de pousar nos beliches que eles alugam em quarto compartilhado, os ciclistas que chegaram na mesma noite que nós fizeram essa opção.

Nós felizmente estávamos a bordo da nossa Terra Bruta, mas em razão do vento que é muito forte na região não pudemos montar o toldo com fechamento, então cozinhamos no fogão a lenha deles, rodeados de cachorros e galinhas, mas foi bem divertido e diferente. Nosso stress ficou por conta de não poder soltar a Dudinha nem para fazer xixi porque os cachorros (tinha uns 15) representavam uma ameça grande pra ela.

No dia seguinte da nossa chegada fizemos a trilha que leva a borda do Cânion, não é muito longa e bem tranquila de se fazer (pra quem gosta de Trekking) e não precisa de guia, a dificuldade maior fica por conta do Charco que são grandes poças d’água com quantidade de lama variável e se formam principalmente na grama e em depressões na terras, no caso do Espraiado esses charcos se estendem por quilômetros e são cobertos por um tipo de graminha típica da região, então use meias adequadas e sapatos de trilhas bem isolados pois os pés afundam e molham bastante em alguns trechos.

No segundo entardecer fomos ver o pôr do Sol no morro da Torre como é chamado pelo pessoal da região. É um dos pontos mais altos a que se tem acesso com pouco mais de 1.600 metros de altitude e é chamado assim em razão de ter uma torre de medição de ventos nele, a vista é simplesmente incrível. Fomos com a Terra Bruta até lá porque fica a 8 km da casa de apoio e para voltar a noite de apé em meio a búfalos selvagens não nos pareceu uma boa ideia.

As fotos que aqui deixamos pode transmitir um pouco do da beleza da região mas não conseguirá mostrar a vocês o tamanho da alegria e emoção que sentimos, só indo e presenciando essa obra da natureza para vocês terem uma ideia do quão belo é esse nosso planetinha. Dos Cânions que conhecemos no Sul do país esse esta em primeiro lugar, não sei se apenas pela beleza, ou pelo fato que aqui ainda há pouca mão do homem aqui, a gente se sente isolado do mundo e mais perto de Deus (aquele que habita em mim e habita em você), sem dúvida um convite a meditação e reflexões.

Dificilmente sentimos vontade de retornar aos mesmos lugares, entretanto, alguns ficam tão marcados na memória que a volta é inevitável. No Cânion Espraiado já ta certo que o dia que conseguirmos adquirir nosso tão sonhado Drone, iremos voltar e registrar mais um pouquinho dessa obra divina protegida por Deus e admirada pelos homens.

Quando vocês forem conhecer, venham aqui e nos contem o que acharam e o que sentiram chegando lá.

São José dos Ausentes

Por muitas vezes vimos reportagens e imagens das regiões das Serras gaúchas, e ficávamos encantados, sonhando com o dia em que cavalgaríamos nesses campos  cercados por gado e cânions por todos os lados e que seriam ainda mais lindos do que aqueles que víamos através da telinha da Tv. Embora a região conhecida como Pampas esteja mais ao sul, segundo o IBF (Instituto Brasileiro de Florestas) toda região de coxilha pode também, em razão do tipo do solo e vegetação ser chamada de Pampas, entretanto são mais conhecidos como Campos Altos, mas isso não importa, o que importe é que…

Esse dia tão esperado chegou e a experiência foi incrível, enfim conhecemos São José dos Ausentes.

A história se faz presente muito mais do que apenas no nome, no século XVIII  desbravadores encontram um lugar intacto pelo homem e desenhado por Deus, abraçado pelo estado de santa Catarina entre o rio Pelotas e nascente do rio das Antas estava localizado o maior latifúndio do Rio Grande do Sul, a Fazenda dos Ausentes, localizado em uma região privilegiada do país, São José dos ausentes esta inserido em um Eco sistema único, os campos de cima da Serra são formados por campos de altitude e matas de araucárias.

Junto as belezas naturais a região oferece grandes atrativos como a vista exuberante do pico e Cânion Monte Negro, Coxilha e Cruzinha além das majestosas taipas e mangueirões de pedras que te propiciam uma volta ao passado, o desnível dos rios, cujo fenômeno é de ímpar beleza, os passeios a cavalo pelas coxilhas e a rotina dos campeiros na lida diária, a comida típica em sua maioria feita com produtos cultivados ali mesmo na região, no quintal de cada casa ou pousadas dão um toque inesquecível nessa aventura.

São José dos ausentes sem dúvida oferece um diversificado e envolvente cenário natural envolto em um clima subtropical com temperaturas negativas que deixa suas marcas em campos e matas cobertos pela geada e a fantástica neve que altera as cores da paisagem dos campos de cima da serra no período de inverno.

São inúmeras pousadas disponíveis aos turistas, hospedar-se  em uma delas é sentir-se em casa, elas são sinônimos de aconchego e conforto. A maioria oferece  a possibilidade para acampar, embora não possuam uma área específica para camping, fornecem água, luz e banheiro com chuveiro quente, e quem não quiser cozinhar pode fazer todas as refeições na pousada e saborear comidinhas com gostinho do tempero da vovó.

Nós ficamos na fazenda e pousada Aparados da Serra (contato no link https://amorsobrerodas.blog.br/dicas-de-viagem/fotos/ , a última da rua que dá acesso aos Cânions. Como estávamos a bordo da nossa Terra Bruta e no período de verão, não fizemos uso das instalações da pousada, cozinhamos a nossa própria comidinha como de costume mas fizemos questão de conhecer as instalações e verificar como é o café da manhã servido na pousada que para nossa surpresa apresentou-se um verdadeiro banquete.

A aventura principal ficou por conta dos passeios a cavalo, meu marido tinha medo que eu me estabanasse no chão mas no final deu tudo certo, sem nenhum susto nem tombos.

No primeiro dia fomos para o Cânion da Coxilha, este é pouco divulgado mas para mim foi o mais bonito de todos.

Foram aproximadamente 3 horas de cavalgada com uma vista simplesmente de tirar o fôlego, nesse cânion não chegamos a cavalo até a borda pois é uma região que tem muito gado e para segurança deles, o Cânion todo é protegido  com cercas de arame (passamos por baixo de algumas). Para onde olhávamos víamos campos e mais campos verdinhos e o vento forte era o único som que ouvíamos o que transformava cenário simplesmente mágico e inesquecível.

No segundo dia quase não conseguimos sair da cama devido as dores no corpo da cavalgada do dia anterior (esse negócio é para os fortes) mas a vontade de conhecer os outros 2 cânions (Cruzinha e Monte Negro) nos fez pular rapidinho.

Fizemos nosso tradicional ovos mexidos com café preto fresquinho e saímos  para mais 15 km de cavalgada, dessa vez chegamos até a borda dos Cânions a cavalo e confesso que me superei pois havia prometido poucas horas antes de que não teria coragem para tanto, mas a vista é tão incrível que supera qualquer medo, e demais a mais os cavalos conhecem o caminho e os perigos e a minha Princesa era realmente uma lady e me conduziu de forma tranquila e sem sustos mas a Dudinha ficou um pouquinho enciumada, mas essa história conto pra vocês lá nos nossos vídeos no Canal do Youtube que logo logo vai para o ar.

Eu estava ansiosa para ver a famosa Viração, e nesse segundo dia fomos agraciados por ela. Tivemos a felicidade de conhecer e fotografar os Cânions Cruzinha e Monte Negro ainda com o tempo limpo e em seguida, um pouco antes de irmos embora começou a Viração, esse é um fenômeno que ocorre devido ao choque térmico da massa fria com o calor estacionado na altitude, fazendo com que uma névoa quase palpável se concentre no interior do cânion.

No Cânion Monte Negro tivemos o privilégio de fotografar e filmar bem de pertinho esses dois filhotes de abutre se preparando para lançar seus primeiros voos.

Aqui no Blog vou deixar algumas fotos, mas legal mesmo será vocês assistirem os vídeos que estamos preparando pra vocês e que ficarão disponíveis em breve no nosso canal no Youtube que esta para ser lançado.


Aproveite para seguir nosso Blog e nossa Fanpage e venha conosco nessa aventura. https://www.facebook.com/amorsobrerodasPedroeNoemi/

Em Busca de Sentido

Esse poste é para você que pensa em mudar sua vida mas vive passivo se lamentando constantemente de tua má sorte, pela rotina, o casamento mal sucedido, o emprego que não o realiza, seus sonhos que sempre ficam para depois. Você não tem o poder de mudar tudo o que ocorre com você, mas tem o poder de escolher de que maneira quer se sentir e agir em relação aos acontecimentos. Fique comigo e veja esse post até o final (assista o vídeo no link a seguir.  https://www.youtube.com/watch?v=T1iiQphTaKo&t=212s

Título: Em busca de sentido
Autor: Viktor E. Frankl
Editora: Vozes
Páginas: 140 

Experiências em um campo de concentração

O Tema central desse livro é o Sentido da Existência humana.

Resenha:

O livro Em busca de sentido do autor Viktor Frankl, apresenta o relato pessoal de Victor que esteve presente nos campos de concentração na era nazista na Segunda Guerra Mundial.

Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, foi prisioneiro em Auschwitz durante o holocausto nazista. Em busca de sentido narra essa experiência, além de nos apresentar a Logoterapia – método psicanalítico que ele idealizou e criou.

No campo de concentração, as pessoas cujo desejo de sobreviver era ardente, eram aquelas que possuíam a maior capacidade de sobrevivência, pois possuíam um sentido que justificasse suas vidas.

Alguma vez na vida, você já deve ter efetuado as seguintes perguntas: Qual é o propósito da vida? Por que estamos aqui? Temos alguma missão a cumprir?

Em algum momento de sua existência, essas perguntas ecoaram em seus ouvidos, tanto em momentos de extrema felicidade, quanto em momentos de desespero, desânimo, sobre o porque de ser você o escolhido por passar por este momento.

O livro é uma narrativa dramática e comovente da situação limite no campo de concentração. O autor observou a si mesmo e os demais durante a Segunda Guerra Mundial e descreve o que sentiu com uma realidade impressionante.

Após sua experiência surreal no campo de concentração, Victor Frankl começou a atender e durante os atendimentos costumava perguntar a seus pacientes porque não optavam pelo suicídio. A partir das respostas a essa pergunta ele encontrava as linhas centrais da psicoterapia a ser utilizada.

A obra traz uma reflexão sobre o que o ser humano é capaz de fazer quando compreende que não tem nada a perder senão sua existência, ele faz uma descrição fascinante do sentimento de emoção e apatia, sentimentos tão adversos que foram sentidos no campo de concentração.

Questões existenciais

Primeiramente estas questões existenciais começam a tomar conta dos prisioneiros: Porque eu? Qual o motivo desse sofrimento?

Neste campo de concentração diversos sentimentos surgem para tentar responder tais perguntas.

Com a alimentação escassa por uma sopa rala e tendo que dormir amontoados, aumentava ainda mais a irritabilidade, a solidão e o pensamento no suicídio.

O que amenizava essa dor era o sonho de liberdade, de poder rever seus entes queridos, por imaginar em que situação os mesmos estavam passando neste momento e por uns raros momentos de humor, poemas e teatros improvisados no campo de concentração que alimentavam suas almas.

A experiência no campo de concentração

O livro está divido em três partes. Na primeira parte, Victor descreve a experiência no campo de concentração, bem como as posturas de alguns companheiros. Ele nos conta desde a sua chegada a Auschwitz até sua libertação ao final da guerra.

No campo de concentração é revelador e surpreendente que na atmosfera mórbida e doentia seja possível ver sorrisos e grandes esperanças, mesmo que muitas delas frustradas. O autor transmite uma realidade muito grande em relação aos seus sentimentos, de tal forma que podemos senti-lo.

São tantas circunstâncias adversas, que é impressionante que muitos dos prisioneiros conseguem vencer essa situação de sofrimento com o humor, enquanto outros, com os sonhos de liberdade.

Há também quem relembre a vida antes da prisão para escapar do sofrimento; e, outra forma de escapismo, é por meio da arte, através de poemas, teatros improvisados.

Porém, o pior de tudo era tentar manter-se com aparência jovial e mostrar-se capaz de fazer qualquer trabalho solicitado, para ser poupado de ser enviado para as temíveis câmaras de gás.

Ele comenta como alguns presos agiam com muita maldade perante seus companheiros em relação às posturas de alguns guardas que algumas vezes era muito mais compreensivo do que os próprios prisioneiros.

Outro aspecto importante é a adaptabilidade humana em relação às privações. O autor busca demonstrar como os presos se agarrava a algum mecanismo de apoio para que pudessem sobreviver a mais um dia nesse ambiente mórbido.

A logoterapia

Na segunda parte do livro, o autor usa suas experiências para introduzir o método de logoterapia, cujo aprimoramento deve bastante à experiência em Auschwitz. Esse sistema busca o tratamento do paciente num processo que lhe traga uma plenitude existencial.

A logoterapia (terapia do sentido) abrange a vontade de sentido no ser humano, o sentido da vida. Ao contrário da escola freudiana que diz que as neuroses têm como fontes somente frustrações sexuais.

Viktor Frankl concentra o tratamento em projeções para o futuro. Tem por objetivo tornar a psiquiatria mais humanista.

Por isso, tenta compreender as necessidades do ser humano identificando junto ao paciente um sentido para sua vida.

Sua concepção é que o sentido nos faz humanos e compreendê-lo em cada situação da vida é um estímulo a viver e vencer todo sofrimento, independente de qual é o estágio de seu sofrimento. Para tanto, compreende as necessidades básicas do ser humano, que vão muito além daquilo que lhes atinge imediatamente.

Para Viktor Frankl, o ser é totalmente livre e não são determinados por fatores externos, sociológicos e biológicos. Em relação ao sofrimento sua teoria trás um método de lidar com: dor, culpa e morte.

Otimismo trágico

Na terceira parte, Viktor E. Frankl descreve sobre a tese de otimismo trágico. De acordo com essa tese, a superação individual reside numa escolha, num posicionamento interior que, a despeito da tríade trágica (dor, culpa, morte), explicando a possibilidade de o indivíduo optar pela vida, mesmo diante dessa tríade trágica.

Assim como a leitura do livro O Propósito da Vida, a leitura de Em Busca de Sentido transformará profundamente o seu modo de ver a vida, a sua relação com os momentos de sofrimento.

Sua leitura é indispensável para que possamos refletir sobre qual é o nosso propósito e buscar um sentido para nossa vida. Pois, quando temos um propósito, um objetivo definido, temos muito mais forças para lutar contra qualquer adversidade ao longo do caminho.

Pense em seu propósito da vida,  para enfrentar os desafios que aparecem hoje e, também, estar melhor preparado a segunda metade da vida.

Espero que esse post tenha ajudado vocês a meditarem sobre a sua realidade e como você esta se comportando diante das adversidades que surgem no dia a dia, se o que você vive no teu dia a dia realmente esta alinhado com seu propósito de vida. Leia o livro na integra e depois me conta o que achou.

Boa leitura e até a próxima amigos, há, siga o Blog para nos acompanhar nessa aventura.