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gelo no nosso acampamento em São Luiz do Porunã

Localizada entre Curitiba e Ponta Grossa, o cruzamento da BR-277 e BR-376, está localizado o distrito de São Luiz do Purunã, região que concentra todo o fluxo do anel viário que converge para a capital do Estado.

Em São Luiz do Purunã, até as folhas que caem trazem memórias que o tempo faz questão de contar.

Moldada pela proximidade com o Rio Iguaçu, Balsa Nova teve origem onde hoje está localizado o Distrito de Tamanduá. Desde a época de seus primeiros habitantes, os índios da tribo carijó, a topografia da região dava uma vantagem estratégica, permitindo, além da navegação, vigiar e proteger as margens do perigo de possíveis invasões. Essa mesma característica atraiu os primeiros moradores que começaram a se organizar próximo ao rio na divisa com o município da Lapa. A partir daí, grandes mudanças iniciaram-se.

Nos últimos 20 anos, o distrito de São Luiz do Purunã tem se destacado como pioneiro no desenvolvimento do turismo rural, apoiado pela presença da cultura gaúcha, graças ao tradicional Rodeio de São Luiz do Purunã, um evento familiar e que reunia seus visitantes em provas de tiro de laço, bailes sociais e acampamentos campeiros. Há mais de uma década o rodeio não acontece, mas está na memória de muitos que conheceram São Luiz do Purunã atraídos por ele.

A formação e a vocação da Vila de São Luiz do Purunã sempre estiveram ligadas ao cavalo. Seja pela herança dos tropeiros ou pelas tradições das famílias que formaram a região, o animal tem sua importância no desenvolvimento econômico do local, que concentra várias cabanhas que criam cavalos e promovem a vocação turística em torno das cavalgadas.

Nós não fomos até lá com a intenção de andar a cavalo, mas sim curtir a natureza exuberante da região, curtir os amigos e desafiar o frio, ou talvez tenha sido o frio que nos desafiou.

Acampamos na Estância Águas da Serra, que apesar de ter luz elétrica e banheiro na área do restaurante fica bem afastado da área destinada para camping, o que transformou nosso acampamento no estilo selvagem, e deu um charme extra.

Era para ser um encontro de Gipeiros, com direito a sopa de pinhão, mas a festa dos Gipeiros mudou de lugar e foi parar a 40km de distância do nosso acampamento. Diante disso resolvemos fazer a nossa própria sopa para aquecer a noite gelada.

Bem, não foi uma sopa. É incrível o poder do compartilhamento.

Nós levamos caldo de galinha caipira, e nossos amigos levaram cada um respectivamente, vaca atolada, caldo de feijão, sopa de pinhão, sopa de aipim com bacon e de quebra Canjica (amo demais).

Sopa do Pinhão, acampamento e São Luiz do Porunã

E tava tudo maravilhosamente gostoso que demorei para dormir porque a comilança pesou para valer. Mas diante de tanto aconchego e calor humano, não há mal que perdure, bastou alguns copos de água com limão pra eu ficar renovada e encarar o churrasco do dia seguinte.

Tivemos de tudo um pouco, rodízio de sopas, marshmello, fogueira, cobertores enrolados nas costas, um amanhecer com 3 graus negativos, chimarrão para espantar o frio, pão de queijo quentinho feito no forno do nosso amigo, bate papo, banho de sol (depois das 11 da manhã), churrasco e fogueira que ardeu em brasas desde o momento que chegamos até a hora que partimos e caça ao tesouro.

Mas no final conclui que o maior tesouro que encontramos foi a companhia dos amigos, esses aquecem nosso coração, alegram nossa alma e nos fazem manter a fé na humanidade. É nessa convivência que percebemos como cada ser é único, especial e belo em suas diversidades de gostos, de estilos de vida, de atitides.

Cada um nos ensina lições preciosas e deixa um pouco de si conosco e leva um pouco de nós consigo e são nesses momentos de carinho, amizade e compartilhamento que carimbamos nossa alma com o que há de mais bonito na vida, os valores verdadeiros pelos quais vale a pena viver.

Assista no Youtube como foi esse acampamento.

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A vida em um Camping – 3 anos ressignificando nossas vidas

Toda transição traz consigo mudanças nos forçando a sair da zona de conforto, posso afirmar que esses primeiros anos foram uma prova de fogo, não é muito fácil passar por todo esse processo de adaptação.

Ir morar em um Camping e conviver com outra pessoa (ainda que essa pessoa seja seu marido ou esposa) 24 horas por dia em um ambiente extremamente reduzido requer uma mudança de crenças e paradigmas muito grande.

Antes éramos ele no espaço dele, assistindo seus programas preferidos na TV eu no meu espaço escrevendo, lendo meus livros, ouvindo meus mantras, de repente isso esta tudo jundo e misturado em um espaço de aproximadamente 15 metros quadrados e para mantermos nossa individualidade como seres únicos que somos, é preciso entender que o respeito pelo espaço, desejos e necessidades do outro são fundamentais e indispensáveis.

Só que não. Em um relacionamento prematuro e carente de todo esse entendimento e respeito talvez não seja tão simples como parece, ultrapassar tais barreiras. E foi nessa corda bamba que tocamos os dois primeiros anos. Entre muitas brigas, desentendimentos e alguns acertos fomos tentando encontrar o equilíbrio para essa nova vida que desafiava a ambos.

Lentamente fomos nos despindo do ego, da individualidade e apesar das dificuldades no convívio diário nos restava a certeza de que queríamos fazer o que era bom para ambos, que queríamos tentar nos alinharmos e que no final tudo se ajeitaria, que nem carga de abóbora que vai se arrumando na estrada.

A partir do terceiro ano as coisas foram se tornando mais decisivas e cada um de nós foi aos poucos estabelecendo seus espaços e territórios, já sabíamos até onde podíamos ir e sabíamos que em alguns momentos mesmo nos considerando certos, entendiamos que era preciso simplesmente silenciar. E assim fui ganhando espaço para meus estudos, para minhas leituras, para meus projetos profissionais e especialmente para estar em conexão com os meus valores mais puros e sinceros, e ele foi encontrando espaço nos afazeres manuais, nas manutenções do trailer, na confecção da casinha o espaço que o realizava e o fazia plenamente feliz.

Sim, estamos amadurecendo como pessoas e como relacionamento e passamos a aceitar que tudo o que nos foi dado é para nosso aprendizado e que em algum momento de nossas vidas havíamos atraído um ao outro justamente para que pudéssemos tirar uma lição e crescer como seres espirituais. Não posso falar se ele esta certo e ciente desse aprendizado, talvez em sua total inconsciência do fluxo de energia a que estamos envoltos ele não tenha a mesma percepção que eu, mas em sua consciência primária e evolutiva começa a sentir mesmo que ainda não entenda essas preciosas mudanças.

E nesse processo outras pessoas também tiveram um papel importante e especial e a eles chamamos de Amigos.

Nesse tempo que estamos vivendo no Trailer, em um Camping, muitas pessoas passaram por nossas vidas, alguns sequer lembramos o nome, entretanto, alguns vieram para ficar e esses são mais que amigos, são irmãos de alma. São pessoas que possuem um espírito livre como o nosso, que desejam viver a vida fora da matrix imposta pelo sistema. São pessoas que querem viajar, que não se importam em levar uma vida mais simples e minimalista e que colocam o ser acima do ter.

A lição que tiramos desses 3 anos é que precisamos continuar, ainda que a estrada seja acidentada, há muito o que aprender e crescer como seres humanos e seres espirituais, ainda há muitos lugares para conhecer, muitos livros para ler, muitos sorrisos para dar e muitas linhas por escrever.

Inscreva-se no nosso canal no Youtube e nos acompanhe nessa jornada.